A Anemia Falciforme com prevalência média de 1 entre
380 nascidos vivos, nos afro-descendentes nas Américas é
doença genética, incurável e com alta morbimortalidade.
A característica principal da Anemia Falciforme é
a deformação que causa na membrana dos glóbulos
vermelhos do sangue.
Os glóbulos vermelhos são células arredondadas
e elásticas que passam facilmente por todo o sistema circulatório.
Existem milhões destas células circulando por todo
o corpo.
Dentro destas células, há um pigmento chamado hemoglobina
que dá a cor vermelha ao sangue e também transporta
oxigênio aos tecidos e órgãos; estas são
arredondadas e elásticas, por isso passam facilmente por
todos os vasos sangüíneos do corpo, mesmo os mais finos.
A maioria das pessoas recebe dos pais os genes para hemoglobina
chamada (A). Assim, estas pessoas como recebem genes maternos e
paternos são denominadas “AA”.

As pessoas com Anemia Falciforme recebem dos pais genes para uma
hemoglobina conhecida como hemoglobina S, ou seja, elas são
SS.
Quando diminui o oxigênio na circulação, os
glóbulos vermelhos com a hemoglobina S podem ficar com a
forma de meia lua ou foice, perdem a mobilidade e flexibilidade
e são mais rígidos, por esse motivo têm dificuldade
para passar pelos vasos sangüíneos, formando um aglomerado
de glóbulos vermelhos que impede a circulação
do sangue e o oxigênio para os tecidos e órgãos.
Traço Falciforme
O Traço Falciforme não é uma doença, significa que a pessoa herdou de um dos pais o gene para hemoglobina A e do outro, o gene para hemoglobina S, ou seja, ela é AS. As pessoas com Traço Falciforme são saudáveis e nunca desenvolvem a doença (1).
É importante saber, quando duas pessoas com o Traço Falciforme unem-se, elas poderão gerar filhos com Anemia Falciforme. Por isso, é importante que todas as pessoas, independente de sua cor ou etnia façam o exame Eletroforese da Hemoglobina, antes de gerarem um filho, de forma que possam decidir com segurança a respeito da suas vidas reprodutiva. |
![]() |
A alteração genética que determina a doença
Anemia Falciforme é decorrente de uma mutação
dos genes(2) ocorrida há milhares de anos, predominantemente,
no continente africano onde houve três mutações
independentes, atingindo os povos do grupo lingüístico
Bantu e os grupos étnicos Benin e Senegal (SERJEANT, 1998).
Vários pesquisadores associam a mutação genética
como resposta do organismo à agressão sobre os glóbulos
vermelhos pelo Plasmodiun falciparum, agente etiológico da
malária. Esta hipótese é sustentada sob dois
pontos de vista: milenarmente, a prevalência da malária
é alta nestas regiões, e o fato dos portadores do
traço falciforme terem adquirido certa resistência
a essa doença. As pessoas com Anemia Falciforme não
são resistentes a malária.
Estudiosos de antropologia genética estimam que o tempo decorrido
para que esta mutação se concretizasse foi de 70.000
a 150.000 anos passados, ou seja, 3.000 a 6.000 gerações
(SERJEANT, 1985, 1992).
Nas regiões da África, onde se deram as mutações,
o gene HbS pode ser encontrado na população, em geral,
em uma prevalência que varia de 30 a 40%. O fenômeno
de mutação do gene HbS também ocorreu na península
árabe, centro da Índia e norte da Grécia.
Distribuição do gene Hbs
Com a emigração compulsiva dos povos africanos e pelos processos recentes de emigração da África, o gene foi difundido a todos os continentes, constituindo-se, naatualidade, a doença genética prevalente de caráter mundial.
DIFERENÇAS NAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Anemia Falciforme, classificadas como do tipo Bantu, têm
a forma clínica muito grave. Os Benin, provenientes da Baía
de Benin, têm a forma grave. O tipo Senegal é benigna,
mas possui baixa prevalência ou é rara em todos os
países da América. Como exemplo, temos a alta freqüência
do tipo Bantu no Brasil e em Cuba, chegando a índices de
63,9 e 48,1 respectivamente. Quanto ao tipo Benin, os países
com alta freqüência são Jamaica 74,0, Guadalupe
73,0 e Estados Unidos da América 56,4. Quanto ao tipo Senegal,
os países com freqüência mais alta são
U.S.A 13,6 e Canadá 13,1 (SOUZA, 2002).
Estas variações apontam a necessidade de se realizar
estudos de biologia molecular e sobre a história natural
da doença, determinando a composição étnica
majoritária entre as pessoas com a doença e parâmetros
de morbimortalidade por região.
Atualmente, este estudo explica porque alguns doentes apresentam
poucas manifestações clínicas, podendo manter
suas atividades regularmente, enquanto outros são bastante
debilitados. É importante que os familiares, assim como os
profissionais de saúde entendam essas variações
de um doente para outro e mesmo entre irmãos para não
discriminarem os mais sintomáticos, como se estes estivessem
simulando sintomas.
GENES QUE CAUSAM ANEMIA HEREDITÁRIA
Em razão da miscigenação, é comum encontrarmos
na população geral da América Latina e Caribe
outros genes mutantes que interferem na estrutura da molécula
de hemoglobina, causando anemia hemolítica (destruição
precoce do glóbulo vermelho) e outras complicações
clínicas.
Talassemia (Th) – É uma doença genética,
hereditária, clinicamente, grave, com alta morbimortalidade,
cuja característica principal é a diminuição
da concentração de hemoglobina (3) no glóbulo
vermelho (4). É prevalente nos povos de origem
mediterrânea. Em vários países da América
Latina, é mais comum em pessoas de ascendência italiana.
A pessoa com talassemia herdou dois genes, um vindo do pai e outro
da mãe. Quando herda apenas um gene, chamado de traço
talassêmico, não tem manifestações clínicas,
mas pode passar este gene a seus descendentes com 50% de chances
a cada gravidez.
Hemoglobina C – A hemoglobina C é mais freqüente
em pessoa de ascendência africana. Quando herda apenas um
gene, não apresenta manifestações clínicas,
mas, pode passar este gene a seus descendentes com 50% de chances
a cada gravidez. A pessoa que herda dois genes pode apresentar anemia
crônica moderada, aumento do baço e alguns sintomas
clínicos.
É comum encontrar essas variantes genéticas combinadas
com a hemoglobina S; geralmente, as manifestações
clínicas são tão acentuadas quanto às
da Anemia Falciforme. O termo doença falciforme especifica
uma patologia na qual, pelo menos, uma das hemoglobinas é
do tipo S, tais como: HbSS, HbSC, HbSTh.
![]()
SINAIS E SINTOMAS DA ANEMIA FALCIFORME
Diagnóstico neonatal ou triagem neonatal é um conjunto de exame de sangue que se faz nos bebês nas primeiras 24 horas após o nascimento. A amostra de sangue é obtida com base na puntura de calcâneo e coletada em papel filtro. Popularmente conhecido como teste do pezinho.
No Brasil, a triagem neonatal está implantada há
alguns anos para dois tipos de doença: fenilcetonúria
e hipotiroidismo e, no ano de 2001, o governo federal incluiu a
eletroforese da hemoglobina, exame que detecta anemia falciforme
em doze estados brasileiros. Para a ampliação desta,
é necessária a vontade política dos órgãos
de saúde nos governos, visando à difusão de
informações, elaboração de material
informativo e educativo, capacitação técnica
e uma política definida, conforme as necessidades regionais,
unindo as organizações não-governamental e
instituições privadas, como forma de garantir o acesso
universal ao diagnóstico neonatal.
Cabe também às várias organizações
que compõem o Movimento Social Negro efetivar sua participação
social no setor saúde, fiscalizando as ações
e garantindo, assim, os princípios de autonomia e,conseqüentemente,
da ética nas políticas públicas.
Principais complicações clínicas
Anemia é uma expressão que identifica um número reduzido de glóbulos vermelhos ou nível de hemoglobina inferior ao normal. Os doentes falciformes têm anemia crônica, por causa da destruição precoce dos glóbulos vermelhos. |
![]() |
Um glóbulo normal dura em média 120 dias, no entanto, um glóbulo
falciforme dura em torno de 15 dias. A anemia para essas pessoas não
é uma complicação das mais graves.
Em razão dos mecanismos compensatórios internos, seu
organismo estará adaptado a conviver com níveis muito
baixos de hemoglobina. Cabe destacar que a criança com Anemia
Falciforme não tem uma anemia por deficiência de ferro,
mas, pela redução do número de glóbulos
vermelhos, conseqüente da hemólise.
Anemia Carencial
Em nossa população a anemia causada por deficiência
de ferro no glóbulo vermelho é a mais freqüente.
Esta anemia é detectada por meio do exame de sangue chamado
hemograma. O tratamento é feito por reposição
de ferro.
O resultado é descrito em gramas (g) de hemoglobina (Hb),
por decilitro (dl):
é considerada anemia branda – Hb 9-11g/dl
é considerada anemia acentuada – Hb de menos de 8g/dl
A Anemia Falciforme ou traço falciforme é detectada
pelo exame de sangue, chamado eletroforese da hemoglobina. Este
exame separa eletricamente as hemoglobinas do sangue, demonstrando
a presença da hemoglobina S e outras hemoglobinas.
A quantidade normal de Hb em pessoas com Anemia Falciforme
é em torno de 6,5 a 9g/dl.
No resultado da eletroforese de hemoglobina:
– até 45% de hemoglobina S é considerado Traço
Falciforme;
– cima de 45% de hemoglobina S é considerado Anemia
Falciforme.
Geralmente,este é o primeiro sinal da doença, conhecido também como síndrome mão e pé. É uma inflamação aguda dos tecidos moles que revestem os ossos dos tornozelos, punhos, dedos e artelhos que se apresentam inchados e não depressíveis ao toque. A região poderá estar ou não avermelhada e quente.
Este processo inflamatório é doloroso, deixando a criança inquieta, chorosa e com dificuldade para utilizar as mãos e os pés. Por ser um processo dos tecidos moles, pode não haver alterações radiológicas, sobretudo, nas duas primeiras semanas. Após este período, podem ser observadas radiologicamente alterações ósseas |
![]() |
Atenção no Ambiente Escolar
Atenção no Ambiente de Saúde
Crises Dolorosas
A célula em forma de foice tem pouca mobilidade e flexibilidade e pode obstruir o sistema circulatório, impedindo o fluxo de sangue e oxigênio aos tecidos e órgãos, (vaso-oclusão). A dor acomete sobretudo os sistemas muscular e esquelético e, em crianças até três anos, é mais comum atingir a articulação das mãos e pés.Nas crianças maiores, são acometidos os braços, o tórax, as costas, o abdome e as pernas.
|
Atenção no Ambiente Escolar
|
![]() |
Atenção nos Serviços de Saúde
Os doentes falciformes são mais suscetíveis a infecções,
como pneumonias, meningite, osteomelite e septicemia. É comum
encontrar doentes falciformes que já tiveram várias
pneumonias, há relatos de pacientes com até 12 episódios.
Uma das causas dessa suscetibilidade é a perda funcional
do baço, órgão que atua removendo as bactérias
da circulação, dando proteção ao organismo.
A infecção sempre deve ser acompanhada com muito zelo
pela equipe médica e familiares, pois é responsável
pela alta mortalidade entre os doentes falciformes.
Atenção no Ambiente Escolar
Atenção nos Serviços de Saúde
|
![]() |
IMUNIZAÇÃO
RECOMENDADA PARA O DOENTE FALCIFORME

LEGENDA: SC:
subcutânea ID: intradérmica IM:
intramuscular 2 M: dois meses 2 A:
dois anos.
Observações:
A
idade e o intervalo entre doses pode variar de um país
para outro. |
![]() |
As pessoas com doença falciforme, geralmente, têm icterícia por causa da destruição rápida dos glóbulos vermelhos (hemólise). Quando esses são destruídos, um pigmento chamado bilirrubina é liberado. Como o fígado não consegue eliminar a bilirrubina resultante dessa destruição rápida, esta ficará acumulada no sangue circulante. Se a concentração dessa substância aumentar muito no sangue, a pele e, sobretudo, a esclera (branco dos olhos) ficam com uma cor amarelada ou verde-amarelada. Essa coloração é denominada icterícia.

Fígado e Vias Biliares
Nessas crianças, dores abdominais sempre requerem um exame
minucioso, uma vez que estão mais sujeitas a intercorrências
relacionadas às vias biliares e fígado.
Dores no quadrante superior direito, náuseas, vômitos
podem ser indícios de litíase biliar (pedra na vesícula).
Pode ocorrer em 14% das crianças, 30% dos adolescentes e
75% dos adultos. A cirurgia deve ser indicada só no caso
destes cálculos estarem causando complicações
e limitações funcionais à criança. Este
cuidado está associado aos riscos da anestesia, risco cirúrgico
e de infecções no pós-operatório ou
outras complicações do ato operatório. A cirurgia
a laser embora reduza os riscos, não está isenta de
intercorrências indesejáveis.
Fígado
As principais intercorrências relacionadas a este órgão podem ser por causa de obstrução das vias biliares, crise vaso-oclusiva, hepatite viral.
Atenção no Ambiente Escolar
Atenção nos Serviços de Saúde

Por causa dos processos vaso-oclusivos e da anemia crônica,
os pequenos vasos dos rins são afetados, resultando em complicações
estruturais e funcionais. Assim, os pacientes perdem a capacidade
de concentrar urina, necessitando urinar com mais freqüência.
Em conseqüência dessa perda, necessitam ingerir maior
volume de líquidos. Em caso de outras perdas associadas como:
diarréia, vômitos, transpiração excessiva,
podem ocorrer desidratação e episódios de dor
em razão da vaso-oclusão.
Atenção no Ambiente Escolar
• Facilitar e incentivar a ingestão de líquidos,
enquanto a criança estiver na escola. |
![]() |
Atenção no Serviço de Saúde
• Orientar os familiares sobre a necessidade de ingerir
maior volume de líquido.
• Quando a urina estiver muito concentrada, será preciso
aumentar a ingestão de líquido.
• Orientar a família da criança com enurese
noturna que esta não consegue concentrar um volume grande
de urina.
• Oferecer apoio psicoemocional à criança e
familiares, uma vez que a enurese noturna traz constrangimento social.
![]()
SEQÜESTRO ESPLÊNICO
Trata-se da retenção de grande volume de
sangue dentro do baço, sendo percebido com mais freqüência
em crianças com até cinco anos de idade. Após
essa idade é muito raro.
É um quadro agudo e grave, a evolução é
rápida e caracteriza-se por palidez intensa, aumento do abdome,
apatia, sem evidência de infecção e choque.
Atenção no Ambiente Escolar
• É uma emergência: levar com urgência
ao hospital mais próximo.
Atenção nos Serviços de Saúde
• Palidez intensa.
• Aumento do baço.
• Letargia (inércia, apatia).
• Desmaio.
• Chamar hematologista
(EMERGÊNCIA).
• O seqüestro esplênico envolve risco de vida.
• O médico e equipe devem estar atentos para uma intervenção
rápida e eficaz.
• O tratamento será feito com expansores de plasma
sangüíneo e transfusões de sangue.
• A maioria dos serviços médicos preconiza esplenectomia
(remoção cirúrgica do baço), após
o segundo episódio.
![]()
ASPLENIA FUNCIONAL
Em razão dos constantes processos de vaso-oclusão
no baço, este órgão tende a perder sua capacidade
funcional, culminando com sua atrofia. Em doentes falciformes HbSS,
isto ocorre até os cinco anos de vida.
Atenção no Ambiente Escolar
• A perda funcional e atrofia do baço representam um
quadro clínico esperado.
• Observar vacinação e antibioticoterapia no
caso de indicação médica.
• A maioria dos especialistas preconiza penicilina, para reduzir
as infecções até os cinco anos de idade.
Atenção no Serviço de Saúde
• Orientar os familiares que asplenia funcional é um
quadro clínico esperado.
• Orientar sobre a importância da vacinação:
pneumococos, hemophilus, hepatite B.
• Orientar quanto ao uso regular de penicilina para prevenção
das infecções.
Os glóbulos vermelhos são produzidos pela medula
óssea. Em razão de uma infecção viral,
esta produção poderá ser interrompida, independente
do indivíduo ter ou não Anemia Falciforme. Entretanto,
neles a infecção é mais grave, visto já
terem nível de hemoglobina baixo e glóbulos vermelhos
que são destruídos com maior velocidade.
Com a parada temporária da produção de glóbulos
vermelhos, haverá agravamento da anemia. Os sintomas são
fraqueza, languidez, respiração rápida e taquicardia.
Atenção no Ambiente Escolar
• Sintomas iniciais podem ser confundidos com os de uma gripe.
• Sintomas como letargia e palidez associados a estado gripal
podem ser indicativos de aplasia.
• Palidez em crianças afro-descendentes deve ser observada
em mucosa ocular e na base da unha.
• Comunicar à família a necessidade da assistência
médica.
• A criança deve ficar hospitalizada.
Atenção no Serviço de Saúde
• Transfusões lentas de sangue.
• Para diminuir o volume de sangue circulante, pode ser indicada
uma transfusão exsangüínea parcial que consiste
na retirada de uma quantidade de sangue e recolocação
de outra.
• A criança deve ficar em isolamento até que
a medula óssea volte a funcionar, geralmente, em torno de
dois dias.
Acidente vascular cerebral (popularmente conhecido como derrame)
é uma intercorrência grave, que se caracteriza pela
interrupção do fluxo sangüíneo no cérebro.
Para SERJEANT (1992), o acidente vascular pode ocorrer por infarto
cerebral (bloqueio dos vasos sangüíneos com interrupção
de sangue e oxigênio).Dependendo da área lesada e dos
neurônios motores comprometidos (que comandam o controle voluntário
dos membros), a criança apresentará fraqueza, paralisia
lateral ou bilateral dos membros, paralisia facial-lateral (a boca
fica assimétrica), perda completa ou parcial da fala. Convulsões,
coma e morte são menos freqüentes.
Embora possa haver uma recuperação significativa,
em alguns casos, o acidente vascular cerebral pode deixar déficit
neurológico de maior ou menor gravidade.
Em crianças, pode haver dificuldade de aprendizagem e memorização,
interferindo, assim, em seu desempenho escolar.
Atenção no Ambiente Escolar
• Estar alerta a mudanças neurológicas ou motoras.
Alterações leves podem não ser percebidas pelos
familiares.
• Dor de cabeça, distúrbios visuais, mudanças
de comportamento e queda no desempenho escolar podem ser sinais
e sintomas de derrame.
• Geralmente, após o derrame, a recuperação
dessas crianças é boa.
• Caso haja alteração no desempenho, devem ser
oferecidas a estas crianças as mesmas oportunidades que são
dadas às outras com déficit neurológico.
• A criança não deve ir para uma classe especial,
exceto aquelas que tiveram um comprometimento neurológico
de grande monta, necessitando estar em uma classe que tenha um ritmo
mais adequado ao dela.
• Para evitar recidiva, essas crianças serão
mantidas em programa de transfusão crônica, precisando
ausentar-se da escola a cada três ou quatro semanas.
• Por causa das transfusões, a criança fica
com excesso de ferro no organismo, que deverá ser eliminado
por meio de uma droga quelante de ferro.
• O programa de quelação de ferro pode ocorrer
no hospital, ou em casa, através de uma bomba de infusão
pela qual a droga é injetada gradativamente.
Atenção no Serviço de Saúde
• Doente falciforme que chega ao hospital com déficit
neurológico, deve receber tratamento que implique reversão
desse quadro.
• Se apresentar febre, devem ser realizados exames que excluam
meningite.
• Para evitar recidiva, essas crianças precisam ser
mantidas em um programa de transfusão crônica a cada
três ou quatro semanas.
• O excesso de ferro no organismo causa hemossiderose (intoxicação
por ferro, com lesão grave em órgãos como coração,
fígado e rins), deve ser eliminado através de um quelante
de ferro, mesilato de deferoxamina (Desferral®).
• O programa de quelação de ferro pode ocorrer
no hospital, ou em casa, através de uma bomba de infusão,
pela qual a droga é injetada gradativamente.
Os doentes falciformes estão sujeitos a complicações
oculares diversas, em razão dos processos vaso-oclusivos
na circulação dos olhos. Também podem ocorrer
vários processos na parte interna que podem não ser
percebidos externamente, formando cicatrizes, manchas, estrias,
comprometendo a saúde ocular com perdas gradativas da visão.
A retinopatia falciforme proliferativa pode causar cegueira.
Atenção no Ambiente Escolar
• Observar a acuidade visual: ela pode ser perdida
gradualmente.
• Manchas sanguinolentas na esclera (branco dos olhos) pode
ser sinal de hemorragia retiniana.
• A criança deve fazer exame oftalmológico completo
anualmente, ou seja, com avaliação da função
interna dos olhos e não apenas da acuidade visual.
Atenção no Serviço de Saúde
• Estar atento para o fato de que a criança com Anemia
Falciforme poderá ter complicações oculares
graves.
• Qualquer intercorrência ocular com essa criança
deve ser vista por um especialista.
• Encaminhar para exame oftalmológico, anualmente,
para avaliação da função interna dos
olhos.
Os processos vaso-oclusivos causam infarto na circulação
óssea, provocando a necrose asséptica (morte do tecido,
não relacionada à infecção). Pode verificar-se
em qualquer osso, porém há uma predominância
na cabeça do fêmur, após os cinco anos de vida.
Em razão de grande solicitação da medula óssea
na produção de glóbulos vermelhos, os ossos,
sobretudo do crânio, ossos longos, vértebras e as grandes
articulações sofrem transformações típicas
da doença falciforme, alterando o formato dos ossos.
Atenção no Ambiente Escolar
• Esta é uma intercorrência que pode afastar
a criança por vários dias da escola.
• Ao retornar à escola, ela poderá estar utilizando
aparelho ortopédico.
• O uso de aparelhos ortopédicos envolve a auto-imagem
e novas adequações emocionais no convívio escolar.
• Em muitos casos, pode haver indicação de substituição
protética do quadril.
Atenção no Serviço de Saúde
• Os exames radiológicos iniciais não são
úteis, pois tanto na necrose como na osteomelite as imagens
são normais.
• Nos casos iniciais, são indicados: repouso, hidratação
e analgesia.
• Nos casos progressivos em jovens, podem ser indicadas transfusões
crônicas.
• Nos casos graves, pode ser indicada substituição
com prótese de quadril.
São feridas que surgem ao redor do tornozelo e parte lateral
da perna, bastante dolorosas e tendem a cronificar. Podem iniciar
na adolescência e parecem ser mais freqüentes nos meninos.
Essas feridas são constrangedoras aos adolescentes e limitam
muito suas atividades sociais, como ir à praia, usar bermudas,
dormir na casa dos colegas, uma vez que precisam fazer curativos
pelo menos duas vezes por dia.

Atenção no Ambiente Escolar
• Qualquer traumatismo nas pernas deve ser cuidado com rigor,
limpando a região diariamente com água e sabão
neutro e protegendo com gaze e faixa.
• As úlceras tendem a se tornar crônicas, requerendo
muita persistência e limpeza diária, pelo menos, duas
vezes ao dia para sua cicatrização.
Atenção no Serviço de Saúde
• Orientar sobre a necessidade de ingerir muito líquido,
para manter o sangue mais fluido.
• Orientar sobre a necessidade de manter a região sempre
protegida com meias grossas.
• Evitar tênis de cano alto.
• Orientar e ensinar a fazer o curativo, observando cuidados
de limpeza e proteção contra microrganismos que causam
infecção.
Baseado
no Livro "Anemia Falciforme manual para trabalhadores de saúde
e educação nas Américas."
Rua Boacica, 422
Cidade Patriarca - São Paulo - SP
Fone: 11 3223-7261 ramal 220
Horário- 9 às 17h